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A psicologia organizacional na atualidade está passando por profundas transformações positivas do ponto de vista de oportunidades, desafiando os pesquisadores desta área a aprimorarem novos conceitos a respeito de sua prática e área de atuação.

O referido trabalho, portanto vem buscar conhecer a prática do profissional de psicologia nas organizações, seu modo de atuação, desafios e dificuldades; além da percepção que outras pessoas podem ter da sua atuação profissional.

Para tanto, a contextualização do tema foi dividida em três partes:

A primeira parte retrata a emergência da psicologia nos seus aspectos históricos, desde o longo caminho que a psicologia precisou trilhar na busca de sua autonomia enquanto ciência, onde cada teórico que se propunha a estudar o ser humano e a psicologia estabelecia linhas de pensamentos totalmente diferentes, mas que contribuíram para que a psicologia realmente se tornasse uma ciência independente.

Na segunda parte foi analisada a psicologia na atualidade, suas áreas de atuação e suas diversas formas de abordagens, como a teoria comportamental, a psicanálise dentre outras. Trazendo também dados mais atualizados sobre as características da profissão de psicólogo.

Na terceira e última parte, houve um aprofundamento maior na psicologia organizacional, utilizando-se das teorias das organizações de Taylor e Fayol para a compreensão da entrada do psicólogo no contexto das organizações; além das diversas atividades desenvolvidas pela psicologia no setor de Recursos Humanos.

Além da contextualização do tema, foram realizadas entrevistas com psicólogos que atuam na área organizacional e com não-psicólogos, na busca da identificação das diversas percepções acerca da atuação da psicologia dentro das organizações. Onde através da análise e da interpretação dos dados colhidos confrontando com a literatura existente, foi possível chegar a algumas considerações sobre o tema estudado.

2.1 A Emergência da Psicologia:             

Segundo Figueiredo (2006), é muito complexo o processo de se criar uma ciência, pois é preciso que esta tenha um objeto próprio de estudo e métodos adequados para estudá-lo. Portanto, era extremamente difícil a transformação da psicologia enquanto ciência, principalmente porque temas da psicologia sempre estiveram entre especulações filosóficas e porque o objeto de estudo da psicologia seria a “psique”, ou seja a mente, um objeto não observável segundo as exigências do positivismo da época.

Nota-se portanto que mesmo que a psicologia tenha buscado sua autonomia enquanto ciência, este foi um trabalho árduo que exigiu muito dos teóricos conhecerem realmente quem seria este psicólogo e como ele faria para trabalhar com seu objeto de estudo que era o sujeito individual.

Para Figueiredo (2006) o projeto de ter a psicologia como ciência independente, foi bastante influenciado ao longo do tempo pelas várias correntes filosóficas. Na idade moderna, quando o cientista sente o poder de lidar com fenômenos naturais, exige-se por outro lado uma busca por “objetividade”, ou seja é preciso para a psicologia disciplinar a mente e eliminar totalmente a subjetividade.

Portanto, esse estudo científico da psicologia está sempre marcado pela contradição: de um lado a liberdade e poder de interferir na natureza e estudá-la e de outro a necessidade de dominar a subjetividade através de estudos objetivos.

Segundo Figueiredo (2006), o alemão W. Wundt foi reconhecido como o pioneiro a formular realmente um projeto de psicologia enquanto ciência através da criação de um laboratório destinado a pesquisa e ao ensino da psicologia. Para ele a psicologia seria a ciência intermediária entre a natureza e as ciências da cultura, que estudava os fenômenos culturais como a linguagem, os mitos dentre outros. Portanto o objeto de estudo para Wundt era a experiência imediata dos sujeitos que seria o resultado do processo de síntese criativa em que a subjetividade se manifestaria como capacidade de criação.

Para Figueiredo (2006) após Wundt são inúmeros os que tentaram colocar a psicologia no campo das ciências sociais. Titchener que foi seu aluno não nega a existência da mente, mas esta perde sua autonomia, para ele como mente e corpo andam lado a lado, é possível fazer a psicologia usando apenas os métodos das ciências naturais que são a observação e a experimentação. Para os psicólogos funcionalistas o objeto de estudo são os processos e operações mentais, no entanto os estudo desse processo vai exigir uma diversidade de métodos.

Nota-se, que não há uma harmonia no surgimento da psicologia enquanto ciência, pois cada teórico surge com uma teoria totalmente oposta a teoria que antecedeu, até mesmo aqueles que foram discípulos de uma teoria, como é o caso de Titchener; que após a morte de Wundt cria uma nova teoria negando a teoria do seu grande incentivador.

Figueiredo (2006), destaca que no início do século XX, surge um novo projeto de psicologia em oposição à psicologia de Titchener e aos funcionalistas, que é o comportamentalismo, projeto este originalmente elaborado por J. B. Watson, onde o objeto de estudo é o próprio comportamento e suas interações com a ambiente. Watson estuda portanto, os comportamentos observáveis e defende que é preciso abandonar definitivamente a auto-observação, redefinindo a psicologia como “ciência do comportamento”.

Portanto, John B. Watson fundou o behaviorismo guiado por uma psicologia objetiva, criticando a introspecção e a analogia com métodos . Para ele a introspecção era excessivamente dependente do indivíduo. Enquanto a psicologia deveria ser definida como ciência do comportamento renunciando totalmente a definições como: consciência, estados mentais e mente. Para Watson era claro que a psicologia estudaria apenas o comportamento objetivamente comprovado.

Assim, Figueiredo (2006) enfatiza que Wundt, Titchener e os funcionalistas tentam fundamentar suas teorias partindo da experiência imediata rumo a explicações fisiológicas, biológicas ou socioculturais, enquanto que os comportamentalistas como Watson, desprezam a experiência imediata e colocam no centro das discussões o estudo do comportamento independentemente do que o sujeito pensa, crê e deseja.

Além destes teóricos, muitos outros foram se estabelecendo ao longo do tempo no cenário de estudo da psicologia como ciência, é o caso da psicologia da gestalt, do behaviorismo radical de Skinner, da psicologia cognitiva de Piaget e da psicanálise Freudiana.

Para Figueiredo (2006) o que se vê é que a psicologia desde o início foi dividida entre diferentes linhas de pensamento, que esta divisão não foi causal e que também não foram superadas e que no bojo desta crise a psicologia tornou-se possível como ciência independente.

2.2 A psicologia na Atualidade     

Segundo Bock (1999), o termo psicologia é bastante usado em nosso cotidiano em vários sentidos, o que faz de todos um pouco de psicólogo, no entanto essa psicologia conhecida como psicologia do senso comum, é utilizada através de um conhecimento superficial acumulado que permite a descrição superficial das relações e problemas cotidianos. Mas essa psicologia não é a psicologia utilizada pelos psicólogos, pois a psicologia enquanto ciência se propõe a compreender e alterar o cotidiano a partir de um estudo sistemático. Enquanto que a psicologia do senso comum é uma produção de conhecimento baseado na cultura, na tradição passando de geração para geração através de um conhecimento espontâneo, intuitivo de tentativa e erro, mas, apesar de não ter viés científico, tem sua importância por facilitar a interpretação do dia-a-dia.

Isso destaca a relação intrínseca que existe entre ciência e senso comum dentro do universo do conhecimento humano, onde muitas vezes o senso comum acaba por se apropriar da ciência, mesmo que de uma maneira precária para explicar eventos da realidade cotidiana.

Para Bock (1999), não existe apenas o senso comum e a ciência como únicas formas do conhecimento do homem para interpretar e interagir com a realidade. Existe a filosofia preocupada na explicação para a origem do homem e seu significado; a religião tentando formular pensamentos sobre a origem do homem, seus aspectos místicos e morais; e as artes como forma de expressão do conhecimento através da sensibilidade das emoções.

Essa abordagem ressalta a importância da diversidade de expressões do conhecimento para a evolução da humanidade, pois com um só tipo de conhecimento seria impossível se ter uma visão ampla de ser humano e suas relações com o cotidiano.

Bock (1999), expressa a difícil tarefa de definir a Psicologia enquanto ciência. A ciência composta por conhecimentos sobre fatos, obtidos de maneira sistemática e controlada com conclusões passíveis de verificação e isentas de emoções. Pois um conhecimento para ser científico precisa ter um objeto específico de estudo, assim como a astronomia estuda os astros e a biologia os seres vivos, a psicologia estuda o homem, no entanto seu objeto de estudo é bastante diversificado, devido vastas abordagens da concepção de homem e é por esse motivo que não existe uma psicologia, mas ciências psicológicas ainda em desenvolvimento.

Percebe-se portanto que a psicologia é uma ciência nova e suas vertentes teóricas ainda são bastante discutidas e rediscutidas devido as diversas correntes existentes como a teoria comportamental, a psicanálise, dentre outras.

No entanto, Bock (1999), parte do pensamento de que a matéria-prima da Psicologia é a vida dos seres humanos, através do estudo dos fenômenos psicológicos da totalidade da vida humana. Estes “fenômenos psicológicos referem-se a processos que acontecem em nosso mundo interno e que são construídos durante a nossa vida. São processos contínuos, que nos permitem pensar e sentir o mundo, nos comportamentos das mais diferentes formas, nos adaptarmos à realidade e transformá-la” (p. 23). Mas a abordagem deste fenômeno dependerá da concepção de homem adotada por cada escola psicológica. Os behavioristas prezam pelo critério da observação, os psicanalistas no resultado das curas das neuroses nas clínicas psicanalíticas.

Isso deixa claro que apesar de formas diferentes de trabalhar os fenômenos psicológicos, as diversas teorias reconhecem o estatuto científico de cada uma delas.

Para Bock (1999), o grande perigo da psicologia é o limite do que é possível e que ainda não é possível de se trabalhar sobre o psiquismo humano. Portanto, a psicologia científica precisa tomar cuidado para não ser confundida com o conhecimento místico das religiões, do estudo da teologia ou mesmo da astrologia, quiromancia e outros tipos de práticas adivinhatórias. Pois a prática mística como acompanhamento psicológico é previsto como crime passível de punição no código de ética do profissional da psicologia.

Isso destaca a reflexão de que a psicologia científica deve trabalhar com fenômenos que possam ser comprovados. E que apesar de não reconhecer as práticas adivinhatórias, deve reconhecer o direito das pessoas que buscam este tipo de prática sem banalizá-las, afinal o verdadeiro cientista deve estar aberto para o estudo do psiquismo humano.

Notisa (2007) traz dados do Conselho Nacional de Psicologia na pessoa de sua presidente Ana Mercês Bock que considera como característica do curso de psicologia um baixo índice de inadimplência e evasão. Acrescentando que as pessoas que escolhem a psicologia como profissão, fazem essa escolha por terem grande vontade de exercer essa profissão. Apesar de que alguns entram na faculdade sem uma noção clara do curso e que ele se propõe.

Para Notisa (2007) muitos escolhem a profissão de psicólogo devido à expectativa em trabalhar em psicologia clínica. Segundo Lígia Polistchuck, formada pela USP (Universidade de São Paulo) o próprio curso foca muito a questão do atendimento em clínicas e consultórios, enquanto existem outros tipos de áreas onde a psicologia pode atuar, são elas: educação, social, saúde, organizações não governamentais, dentre outras.

O que se percebe é que pelo fato de a psicologia ter se originado com bastante influência do enfoque clínico, o mercado para esse tipo de atuação acabou tornando-se saturado. O que, de certa forma, possibilitou que os profissionais de psicologia passassem a buscar novos espaços profissionais.

Segundo Notisa (2007), o setor de Recursos Humanos ainda é um dos que mais apresenta vagas para o psicólogo, exigindo além da graduação um perfil pró-ativo, dinâmico e com experiências em recrutamento, seleção e aplicação de testes.

E além de um mercado vasto na área de Recursos Humanos, o psicólogo responsável por essa área começa a ser inserido numa posição cada vez mais estratégica dentro das organizações.

2.3 A Psicologia Organizacional  

 

Segundo Spector (2002) a psicologia organizacional é uma criação do século XX, com raízes no final do século XIX, onde os primeiros a utilizar a psicologia organizacional foram os psicólogos experimentais que estavam interessados em aplicar princípios da psicologia para resolver problemas na organização. Dois psicólogos são considerados os principais fundadores da psicologia organizacional, Hugo Munsterberg e Walter Dill Scott, interessados particularmente na seleção de funcionários e no uso de testes psicológicos.

Segundo Aguiar (1981), para estudar a psicologia organizacional e seus fundamentos é preciso primeiramente compreender a evolução histórica da psicologia e as teorias das organizações as quais a psicologia organizacional está ligada. Segundo ele Taylor e Fayol são os teóricos que dão origem à organização mecanicista cujo principal objetivo é a produtividade e o lucro. Nessa abordagem o homem é um ser racional mecânico que precisa ser controlado através da divisão do trabalho e do planejamento minucioso da sua execução.

Nessa perspectiva, os trabalhadores perdem o controle do processo de trabalho e são colocados sob o domínio de uma forte estrutura hierárquica de fiscalização, tornando-os mais expropriados tecnicamente e desperdiçando qualquer utilização de ativos verdadeiramente humanos.

Segundo Aguiar (1981) paralelamente ao desenvolvimento das teorias mecanicistas, surge no cenário da psicologia o behaviorismo de Watson cuja teoria coincide com o modelo postulado pelos mecanicistas. E nesse período a aplicação dos conhecimentos psicológicos na organização ocorre basicamente através da elaboração de instrumentos e mecanismos de padronização e controle do comportamento; como o desenvolvimento da psicometria, ou seja da medida psicológica.

No entanto, Aguiar (1981) destaca que, como reação a rigidez da organização mecanicista, surgem os estudos de Elton Mayo e a escola das Relações Humanas mostrando que as relações interpessoais são fatores importantes na produtividade. Para esses teóricos, com o desenvolvimento de melhores relações entre os membros da organização conseqüentemente haverá o aumento da produtividade. Essa teoria recebe influências também da teoria do psicodrama de Moreno, através da aplicação de conhecimentos sobre dinâmica de grupos.

Aguiar (1981) destaca ainda a Escola Estruto-Funcionalista cuja principal contribuição é a disfunção comportamental provocada pelo modelo burocrático. Para esta escola, existe o conflito indivíduo-organização e este conflito contribui para o desenvolvimento organizacional. No entanto, entre os psicólogos que trouxeram maior contribuição estão os que desenvolveram a psicologia social das organizações, uma teoria de abordagem sistêmica constituída de vários subsistemas em contínua interação; distinguindo o comportamento individual do comportamento organizacional.

É possível perceber portanto, que a psicologia organizacional tem diversos caminhos, que pode ser usada como instrumento de manutenção do “status quo”da organização ou como instrumento na libertação da pessoa humana. E que a história da psicologia organizacional deverá ser escrita com a ajuda de outras ciências, como: Sociologia, ciências administrativas, filosofia, economia, ciências políticas dentre outras.

Para Spector (2002), a psicologia é a ciência do comportamento humano, da cognição e da emoção e ela pode ser dividida em diversas áreas, tendo como a área que reúne um maior número de psicólogos, a clínica, já a psicologia organizacional não lida diretamente com problemas emocionais ou pessoais dos funcionários, para isso o psicólogo organizacional encaminha o funcionário ao psicólogo clínico.

Segundo Spector (2002), os psicólogos organizacionais podem atuar em diversas atividades, são elas: Empresas de consultoria, Companhias privadas, governo, universidade e outros. Durante o século XXI a psicologia organizacional certamente continuará a se desenvolver e a progredir, principalmente porque este campo dispõe de uma enorme variedade de métodos e técnicas que podem ser úteis no tratamento das questões do trabalho nas organizações.

O que vimos, é cada vez mais a psicologia organizacional vai obtendo mais espaço dentro da estrutura organizacional, proporcionando aos trabalhadores um bem estar e melhores condições de trabalho.

Spector (2002) retrata que um psicólogo organizacional é treinado para ser um cientista prático, pois além de conduzir pesquisas dentro da organização que está inserido, também aplica conceitos aos problemas existentes na organização. Ele enfatiza ainda que o campo da psicologia organizacional por muito tempo foi uma profissão predominantemente masculina, no entanto a partir da década de 60 as mulheres começaram a dominar esse campo.

Segundo Notisa (2007) o setor de Recursos Humanos ainda é um dos que mais apresenta vagas para o psicólogo, exigindo além da graduação um perfil pró-ativo, dinâmico e com experiências em recrutamento, seleção e aplicação de testes.

Percebe-se portanto, que além de um mercado vasto na área de Recursos Humanos, o psicólogo responsável por essa área começa a ser inserido numa posição cada vez mais estratégica dentro das organizações.

 

3. PROBLEMA DE PESQUISA, JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS

 

Percebe-se que no século XXI a psicologia organizacional encontra-se em franca expansão e a história mostra o quanto os psicólogos organizacionais têm ajudado a melhorar as organizações e as condições de trabalho dos funcionários. Diante disso, é possível ver o quão promissor é o futuro desta área de atuação da psicologia. Observa-se que a psicologia organizacional é um campo eclético e que tem emprestado conceitos e técnicas para outras disciplinas através de sua visão global da organização, contribuindo assim, para as principais atividades desenvolvidas no ambiente de trabalho.

Portanto, A profissão do Psicólogo organizacional tem sido objeto freqüente de reflexão, discussão e estudos por parte dos profissionais que a exercem. Estes estudos buscam não só compreender os determinantes histórico-sociais que moldaram o perfil de atuação do psicólogo organizacional brasileiro, hoje, como também questionar a sua prática, na perspectiva de construção de um modelo de atuação mais condizente com o potencial de conhecimentos gerados pela Psicologia e com a realidade sócio-política em que ela se insere.

Através desta pesquisa, foi possível compreender melhor o papel do psicólogo organizacional, suas funções a atribuições.

Segundo Spector (2002) um psicólogo organizacional é treinado para ser um cientista prático, pois além de conduzir pesquisas dentro da organização que está inserido, também aplica conceitos aos problemas existentes na organização.

Percebe-se nas entrevistas que a visão de Spector acerca do papel do psicólogo organizacional está bastante condizente, pois segundo os relatos, a psicologia organizacional procura estar aplicando conceitos aos problemas existentes na organização que está inserido, como forma de contribuir para o melhor desempenho da relação trabalhador e organização.

No entanto, a prática da psicologia organizacional ainda é bastante desconhecida destes trabalhadores/usuários; foi possível perceber esse fato através da entrevista realizada com um trabalhador de uma indústria onde o RH é bastante estruturado, pois o entrevistado não compreendia o papel do psicólogo organizacional e nem tão pouco sabia quais eram suas atividades.

Verifica-se, portanto, o quão importante foi à realização deste trabalho, principalmente para percebermos os desafios que os psicólogos organizacionais ainda enfrentam na sua prática profissional.

Diante disso o objetivo geral do trabalho é:

- Compreender a prática profissional do psicólogo organizacional.

Dentre os objetivos específicos:

- Investigar as diversas práticas da psicologia organizacional;

- Diagnosticar a percepção do senso comum em relação a prática da psicologia organizacional.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS:

Com as entrevistas das psicólogas pudemos perceber que o RH está muito vinculado a administração. Cada vez mais os psicólogos organizacionais precisam se qualificar, através de cursos de especialização para poder atender as exigências do mercado. Portanto, procuram cada vez mais ciências exatas para complementar seu saber. As psicólogas que entrevistamos deixaram claro essa ligação com a administração e a necessidade que elas sentem de estarem envolvida nesse meio.

Outro fator nítido que pude perceber é que a atividade mais exercida pelo psicólogo organizacional é o recrutamento e seleção. Esta é a atividade de grande destaque da psicologia nas empresas, principalmente devido à necessidade de aplicação de testes psicológicos. Portanto, as estudantes de psicologia que pretendem entrar nessa área precisam começar investindo na realização de cursos de aplicação de testes psicológicos.

Pelo que podemos perceber também, outra grande dificuldade da área organizacional, é definir e estruturar um RH que possa atender as necessidades dos trabalhadores e as exigências dos empresários. É difícil atender a todas as expectativas, pois muitos dos colaboradores têm outra imagem de RH, esperam que o RH seja o lado super humano da empresa, onde vão ser escutados, apoiados e com atendimentos individuais. Só que esse novo cenário de RH tem como finalidade proporcionar as condições favoráveis para um bom trabalho, um bom rendimento, procurando solucionar os problemas e as insatisfações dos trabalhadores. Não é portanto, responsável por eventos e festas e sim auxiliar as demais áreas da empresa a exercerem treinamentos, levantamento de perfil, acompanhamentos, procurando facilitar o trabalho dos demais gestores da empresa.

Apesar das dificuldades percebemos que as psicólogas entrevistadas estão satisfeitas com a recepção dos seus trabalhos, com sua remuneração e vêem resultado nas atividades que desempenham.  Acreditam que a psicologia organizacional pode ser ainda mais valorizada e explorada e que é uma área que ainda não está saturada como outras áreas da psicologia. Portanto é possível crescer, se desenvolver e ser bastante valorizada profissionalmente.

No entanto, com os não psicólogos foi possível perceber que a psicologia organizacional ainda não é totalmente esclarecida, principalmente para os trabalhadores com baixa instrução. Que muitas pessoas ainda não sabem bem o que o psicólogo em geral faz realmente e que a visão dos não psicólogos sobre psicologia precisa melhorar.

Já as pessoas com um pouco mais de instrução, como nível técnico, estão um pouco mais informadas por mais que não conheçam tão bem essa área de atuação profissional, no entanto, elas sabem da grande importância da psicologia para as pessoas com alguns distúrbios emocionais e com problemas de relacionamento. É notável que o grau de instrução realmente é um divisor de águas pois percebemos que uma pessoa mais instruída tem uma noção bem mais clara da psicologia.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Apesar de Notisa (2007) afirmar que muitos escolhem a profissão de psicologia devido à expectativa de trabalhar na clínica. Foi possível verificar que a área da psicologia organizacional está em crescimento e cada vez mais atingindo patamares maiores de remuneração e de hierarquia nas empresas. O psicólogo organizacional de hoje por estar mais próximo das ciências exatas, como a administração atingiu um novo perfil profissional, o que possibilitou uma maior visibilidade do seu trabalho.

Sabemos também que esse novo perfil da área de RH, exigiu do psicólogo organizacional uma busca incessante por novos conhecimentos que possam agregar valor a sua prática profissional sem perder de vista seu olhar psicológico; talvez o grande diferencial das ciências exatas pura.

Portanto, além do vasto mercado da psicologia organizacional, que pode atuar dentro das indústrias, empresas de prestação de serviços, consultorias dentre outras atividades; o psicólogo responsável pela área de Recursos Humanos começa a ser inserido numa posição cada vez mais estratégica dentro da hierarquia organizacional, passando a ser uma peça essencial na engrenagem da estrutura de trabalho existente em nossa sociedade.

O que talvez precise ser revisto é: como essa atuação do novo psicólogo organizacional está chegando ao senso comum, e, principalmente nas áreas mais operacionais da empresa. Pois pelo fato da psicologia ter se originado com bastante enfoque clínico, o trabalhador “chão de fábrica” muitas vezes não consegue perceber as novas atividades da psicologia organizacional e o valor desta área no desenvolvimento das atividades da empresa.

Portanto, o grande desafio é desmistificar que a psicologia organizacional não é somente para realizar eventos sociais e trabalhar no recrutamento e seleção, que é sua área dominante; a psicologia organizacional é portanto o grande gerador de valor para uma organização, mostrando que pode fazer a diferença na gestão das pessoas e dos processos.

 

6. BIBLIOGRAFIA :

 

AGUIAR, Maria Aparecida Ferreira de. Psicologia Aplicada à Administração. São Paulo: Atlas, 1981.

BOCK, A .M. B.:FURTADO, O. E TEXEIRA, M.L.T.. Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999.

DUARTE, J. Entrevista em Profundidade. In: DUARTE, J. E BARROS, A. (Orgs.). Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação. São Paulo: Atlas, 2005.

FIGUEIREDO, Luís Cláudio Mendonça. Psicologia: Uma nova introdução. 2 ed. São Paulo: EDUC, 2006.

 

GASKELL, G. Entrevistas Individuais e Grupais. In: BAUER, M.W. e GASKELL, G. (Ed.). Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

GOODWIN, C. James. História da Psicologia Moderna. Traduzido por: Marta Rosas. São Paulo: Cultrix, 2005.

 

NOTISA, A.Quem é o psicólogo brasileiro de hoje? Revista Psique: ciência & vida. Ago. 2007,São Paulo, v. 1, p. 36-45.

SCHEIN, Edgar H. Psicologia Organizacional. Traduzido por: José Luiz Meurer. Rio de Janeiro: Editora Prentice Hall do Brasil, 1982.

SPECTOR, Paul E. Psicologia nas Organizações. Traduzido por: Solange Aparecida Visconte. São Paulo: Saraiva, 2002.

Aletéia Patrícia Lopes – Consultora do Instituto Empresariar


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